Caiado promete anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados do 8 de Janeiro e eleva tom contra Lula em início de pré-campanha

Em meio ao aquecimento do cenário político nacional para as eleições presidenciais, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), elevou o tom do discurso nesta sexta-feira (13) ao defender uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para os condenados pelos atos do Ataques de 8 de janeiro de 2023 no Brasil. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Em Ponto, da GloboNews, e marca um dos posicionamentos mais contundentes do governador desde que passou a se colocar como pré-candidato à Presidência da República.

Ao comentar o tema, Caiado afirmou que, caso chegue ao Palácio do Planalto, trabalhará para promover uma anistia abrangente para os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Segundo ele, o objetivo seria “pacificar o país” e virar a página do episódio que marcou profundamente a política brasileira no início de 2023.

“Chegando à minha presidência, eu faço valer uma anistia ampla, geral e irrestrita e vou trabalhar para construir um Brasil dentro daqueles critérios que fizeram Goiás o melhor estado do país”, declarou o governador.

A proposta de anistia para os condenados pelos atos golpistas tem sido um dos temas mais sensíveis do debate político nacional, dividindo opiniões entre setores da direita, que defendem revisão das penas, e grupos que consideram a medida uma tentativa de relativizar ataques à democracia.

Críticas ao governo Lula e discurso sobre segurança

Durante a entrevista, Caiado também intensificou as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), associando a eleição presidencial ao rumo político e institucional do país nas próximas décadas. Para o governador goiano, o próximo presidente terá papel decisivo na definição do modelo político e econômico brasileiro.

“O próximo presidente da República vai definir o rumo do Brasil nos próximos 20 anos”, afirmou.

Caiado ainda utilizou o tema da segurança pública para atacar o governo federal. Ele mencionou o debate internacional sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e criticou a postura do governo diante da questão.

Segundo o governador, grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) deveriam ser tratados formalmente como organizações terroristas. Na avaliação dele, o governo Lula não estaria reagindo de forma adequada à expansão dessas facções.

Em tom duro, Caiado chegou a afirmar que o presidente “se postou como embaixador das facções”, acusação que reforça o clima de polarização política que deve marcar a disputa eleitoral.

Pesquisas “contaminadas” pelo 8 de Janeiro

Ao falar sobre a corrida presidencial, Caiado relativizou os resultados das pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento. Para ele, os levantamentos ainda refletem os impactos políticos e emocionais do episódio de janeiro de 2023.

Na visão do governador, o verdadeiro debate eleitoral ainda não começou.

Ele argumenta que as pesquisas estão “contaminadas” pelo episódio e que o cenário deve mudar significativamente quando a campanha entrar oficialmente em curso.

Disputa interna no PSD

Apesar do discurso cada vez mais enfático, Caiado ainda não é o candidato oficial do Partido Social Democrático (PSD) à Presidência. A legenda mantém uma disputa interna entre três governadores.

Além do chefe do Executivo goiano, também disputam a indicação:

  • Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul

  • Ratinho Junior, governador do Paraná

A decisão sobre qual deles representará o partido na corrida ao Planalto deverá ocorrer até 31 de março, prazo antecipado pela direção nacional da sigla.

O presidente do partido, Gilberto Kassab, confirmou a mudança do calendário após um evento do Conselho Político e Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizado na capital paulista. A definição originalmente estava prevista para ocorrer até 15 de abril.

Durante o encontro, os três pré-candidatos apresentaram propostas e visões econômicas a empresários e representantes de entidades comerciais.

Declaração bem-humorada de Kassab

Nos bastidores da política, Kassab chegou a fazer uma declaração que chamou atenção pela forma inusitada ao comentar a possibilidade de o partido não lançar candidato próprio.

Segundo ele, isso só ocorreria em uma circunstância extrema.

“Só não teremos candidato se cair um helicóptero com os três”, disse o dirigente. Em seguida, completou em tom de brincadeira: “Como não vai cair, a chance é zero”.

Eleição pode redefinir alianças

O movimento de Caiado ocorre em um momento em que partidos de centro buscam espaço entre os dois principais polos políticos do país. O PSD, uma das maiores bancadas do Congresso Nacional, tenta construir uma candidatura competitiva que possa dialogar com diferentes setores do eleitorado.

Ao defender anistia aos condenados do 8 de janeiro e intensificar críticas ao governo federal, Caiado sinaliza que pretende disputar votos no campo da direita e do conservadorismo — espaço hoje fortemente influenciado por lideranças ligadas ao bolsonarismo.

Nos próximos meses, a definição do candidato do PSD e a formação de alianças partidárias devem começar a desenhar o mapa político da eleição presidencial, considerada por diversos analistas como uma das mais importantes desde a redemocratização do país.