Movimentação foi identificada na Operação Sem Refino, que apura suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção no setor de combustíveis
A Polícia Federal identificou um repasse de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. A movimentação aparece no âmbito da Operação Sem Refino, investigação que apura suspeitas de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o conglomerado do setor de combustíveis controlado pelo empresário Ricardo Magro.
Pagamento aparece em registros contábeis analisados pela PF
De acordo com as informações apuradas, a movimentação foi identificada na contabilidade da empresa Athena. Segundo a PF, o capital social da empresa teria sido composto por R$ 22 milhões, e houve registro de movimentação em favor da Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA no valor de R$ 14,2 milhões. Os investigadores ainda devem aprofundar a análise sobre a finalidade da operação financeira.
Senador afirma que valor se refere à venda de terreno
Ciro Nogueira afirmou que o pagamento está relacionado à venda de uma área em Teresina, no Piauí, onde seria construída uma distribuidora de combustíveis. Segundo o senador, trata-se de um terreno de aproximadamente 40 hectares, localizado em uma região valorizada da capital piauiense. Ele também declarou que espera que o caso seja esclarecido o mais rapidamente possível.
Em sua explicação, o político disse que a negociação teria sido feita pela empresa e que ele não é sócio da companhia envolvida diretamente no negócio. O senador também afirmou que a empresa compradora teria desistido do empreendimento após uma série de denúncias envolvendo o grupo investigado.
Ciro Nogueira não foi alvo da operação
Apesar da citação à empresa ligada à sua família, Ciro Nogueira não foi alvo da Operação Sem Refino. A ação, no entanto, teve autorização do Supremo Tribunal Federal e incluiu mandado de busca contra Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-braço direito do senador durante o período em que Ciro comandou a Casa Civil no governo Jair Bolsonaro.
Jonathas Assunção ocupou o cargo de secretário-executivo da Casa Civil, função considerada estratégica dentro da estrutura do ministério. Segundo a representação da Polícia Federal, ele era o principal auxiliar de Ciro Nogueira à época.
Ex-assessor também é citado em movimentações investigadas
Conforme a PF, uma empresa de passagem ligada à Refit teria transferido cerca de R$ 1,3 milhão para Jonathas Assunção. No relatório enviado ao STF, os investigadores apontam que os valores creditados foram rapidamente transferidos ao próprio beneficiário final, padrão que, segundo a PF, pode indicar baixa permanência de recursos na conta e ausência de estrutura operacional compatível com a atividade declarada.
A investigação busca apurar se as movimentações financeiras estavam relacionadas a operações regulares ou se integravam uma estrutura usada para ocultação de recursos, lavagem de dinheiro e possível sonegação fiscal. O caso segue em análise pelas autoridades competentes.
Operação mira grupo do setor de combustíveis
A Operação Sem Refino investiga o grupo Refit e empresas associadas ao empresário Ricardo Magro. As apurações envolvem suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro, evasão de recursos e irregularidades no setor de combustíveis. Segundo reportagens sobre o caso, Magro é considerado foragido e teve mandado de prisão decretado.
A Polícia Federal ainda deve aprofundar a análise dos documentos, contratos e movimentações financeiras identificadas. Até o momento, Ciro Nogueira nega irregularidades e sustenta que o valor citado pela investigação corresponde a uma operação de venda de terreno em Teresina.





