Conflito entra na terceira semana em meio a dúvidas sobre o tráfego de navios no Estreito de Ormuz.
O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira (16), em meio ao agravamento da guerra entre EUA, Israel e Irã, que já entra na terceira semana. O barril do Brent, referência internacional, chegou a ultrapassar os US$ 105, impulsionado por novos relatos de ataques iranianos a países do Golfo e pelas incertezas em torno da circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
Apesar da disparada no início do dia, o Brent perdeu parte do fôlego ao longo da manhã. Por volta das 8h10, recuava 0,34%, cotado a US$ 102,79, após ter aberto acima de US$ 106 por barril. Ainda assim, a commodity acumula valorização superior a 40% desde o início do conflito.
Nos Estados Unidos, o petróleo bruto de referência também operava em queda, com recuo de 0,86%, a US$ 96,01 por barril. Mesmo com a leve baixa, o avanço acumulado desde o início da guerra já se aproxima de 50%.
O ambiente de tensão também influenciou os mercados financeiros na Ásia. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 caiu 0,4%, encerrando aos 53.609,49 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,6%, para 5.521,17 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,1%, aos 25.755,53 pontos, enquanto o índice composto de Xangai recuou 0,7%, para 4.066,40.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 fechou em queda de 0,4%, aos 8.583,50 pontos. Já o Taiex, de Taiwan, subiu 0,1%, enquanto o Sensex, da Índia, registrou leve baixa de 0,1%.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros operavam em alta no início do dia. O futuro do S&P 500 avançava 0,5%, enquanto o do Dow Jones subia 0,4%, após uma sessão negativa em Wall Street na sexta-feira (13), marcada pelo impacto da nova alta do petróleo sobre as expectativas de inflação global.
Naquele pregão, o S&P 500 caiu 0,6%, para 6.632,19 pontos, acumulando perda de 3,1% no ano. O Dow Jones recuou 0,3%, para 46.558,47 pontos, enquanto o Nasdaq Composite fechou em baixa de 0,9%, aos 22.105,36 pontos. Os três principais índices encerraram a semana com a terceira queda semanal consecutiva.
A principal preocupação do mercado continua sendo o Estreito de Ormuz, passagem por onde normalmente trafega cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. Em resposta aos ataques de EUA e Israel, o Irã passou a restringir de forma efetiva o tráfego de cargas na região, afetando a logística e pressionando a produção.
Segundo a consultoria independente Rystad Energy, mais de 12 milhões de barris de petróleo equivalente por dia deixaram de ser produzidos em pouco mais de uma semana desde o bloqueio do estreito. Ainda assim, relatos apontam que alguns navios-tanque conseguiram atravessar a rota, o que reforça a incerteza sobre a real dimensão da interrupção.
“A verdade é que, neste momento, grande parte do mercado está operando às cegas”, afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Ele destacou que, em condições normais, o estreito recebe cerca de 25 navios-tanque de petróleo e gás natural liquefeito por dia.
Caso o conflito continue prejudicando a produção e o transporte de petróleo do Golfo Pérsico, o mundo pode enfrentar uma nova rodada de pressão inflacionária. A Agência Internacional de Energia informou que seus países-membros estão liberando um volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo de reservas de emergência, mas a medida, até agora, teve pouco efeito para acalmar os mercados.
A escalada dos preços da energia também complica os planos do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, de reduzir os juros para estimular a economia. A expectativa é de que a instituição mantenha as taxas inalteradas na reunião de política monetária desta semana.
Dados divulgados na sexta-feira pelo Departamento de Comércio mostraram que a inflação ao consumidor subiu 2,8% em janeiro na comparação anual. Excluindo alimentos e energia, os preços básicos avançaram 3,1%, no maior aumento em quase dois anos.
Mesmo com a inflação ainda elevada, os consumidores americanos ampliaram seus gastos em 0,4% em janeiro, mesmo ritmo de crescimento registrado pela renda no período. Já a mais recente pesquisa de confiança do consumidor da Universidade de Michigan apontou nova piora no sentimento das famílias, pressionado principalmente pela alta da gasolina desde o início da guerra.
Outro indicador que pesou sobre o humor do mercado foi a revisão do crescimento da economia americana no trimestre de outubro a dezembro. Segundo os dados atualizados, o Produto Interno Bruto dos EUA avançou a uma taxa anual de apenas 0,7%, abaixo da estimativa inicial divulgada no mês anterior.
No mercado de câmbio, o dólar recuava levemente frente ao iene, cotado a 159,47 ienes, contra 159,55 ienes anteriormente. Já o euro avançava para US$ 1,1442, ante US$ 1,1425.



