Pouco depois da meia-noite do domingo (8/3), a TV estatal iraniana interrompeu sua programação para anunciar que Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder supremo Ali Khamenei (1939-2026), foi escolhido como seu sucessor. A decisão da Assembleia de Peritos, composta por 88 clérigos xiitas, ocorre em meio à primeira onda de ataques aéreos israelenses e americanos ao Irã, que marcou o início do atual conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel, no dia 28 de fevereiro.
Mojtaba Khamenei, que estudou teologia nos seminários de Qom e lecionou religião, era até então visto publicamente como distante da política, devido à relutância do pai em envolver seus filhos nos assuntos do governo. Entretanto, nos bastidores, ele exercia considerável influência sobre a administração do escritório do líder, um órgão central com poder sobre inteligência, assuntos militares, comércio e política.
Analistas apontam que Mojtaba teve participação significativa na eleição presidencial de 2005, quando Mahmoud Ahmadinejad chegou ao poder, mobilizando redes conservadoras e religiosas. Durante a controversa reeleição de Ahmadinejad em 2009, que desencadeou protestos massivos contra o governo, a repressão resultou na prisão domiciliar do ex-primeiro-ministro Mir-Hossein Mousavi, que permanece detido há mais de 16 anos.
Com sua ascensão, Mojtaba Khamenei assume o cargo mais poderoso da República Islâmica em um momento de guerra e crise nacional, enfrentando o desafio de manter estabilidade política interna enquanto lida com pressões externas de países como os Estados Unidos e Israel.



