O mercado financeiro voltou a elevar a previsão da inflação oficial do país para este ano. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,92% para 5,04% em 2026.
As informações constam no Boletim Focus, relatório semanal elaborado pelo Banco Central com projeções das principais instituições financeiras do país para indicadores econômicos.
Com a nova estimativa, a inflação brasileira deve ultrapassar o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Na prática, isso significa que o limite máximo permitido é de 4,5%, percentual inferior à nova projeção do mercado financeiro.
Guerra no Oriente Médio pressiona combustíveis e alimentos
Entre os principais fatores que contribuíram para a alta das projeções está a guerra no Oriente Médio, que vem impactando diretamente os preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.
O cenário internacional também provoca reflexos nos custos de produção e transporte, pressionando o preço dos alimentos e de outros produtos consumidos pela população brasileira.
A previsão para o IPCA foi elevada pela décima primeira semana consecutiva, demonstrando preocupação crescente do mercado com o avanço da inflação.
Em abril, a inflação oficial fechou em 0,67%, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,39%, ainda dentro do limite máximo da meta inflacionária.
Banco Central mantém atenção sobre a taxa Selic
Para tentar controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros da economia, a Selic.
Atualmente, a taxa está fixada em 14,5% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária, o Copom.
Na última reunião realizada em abril, o colegiado reduziu os juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, mesmo diante das tensões econômicas provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas.
Segundo o Banco Central, o cenário internacional continua sendo monitorado com atenção devido aos impactos que um possível prolongamento do conflito pode provocar sobre a inflação brasileira.
O próximo encontro do Copom para definição da taxa Selic está marcado para os dias 16 e 17 de junho.
Mercado projeta queda gradual dos juros nos próximos anos
Apesar das pressões inflacionárias, o mercado financeiro ainda projeta redução gradual da taxa Selic nos próximos anos.
A expectativa dos analistas é que os juros terminem 2026 em 13,25% ao ano.
Para 2027, a previsão é de queda para 11,25%, enquanto em 2028 e 2029 a estimativa é de que a Selic fique em 10% ao ano.
Quando os juros permanecem elevados, o crédito fica mais caro para consumidores e empresas, reduzindo o consumo e ajudando no controle da inflação.
Por outro lado, juros altos também dificultam investimentos, financiamentos e o crescimento da economia.
Já quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais acessível, estimulando o consumo, a produção e a atividade econômica.
Crescimento da economia brasileira tem leve melhora
Mesmo diante das incertezas econômicas, o mercado financeiro elevou levemente a projeção de crescimento da economia brasileira para este ano.
A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,85% para 1,89% em 2026.
Para 2027, a previsão de crescimento caiu de 1,77% para 1,7%.
Já para 2028 e 2029, a expectativa do mercado é de expansão de 2% em ambos os anos.
Segundo dados do IBGE, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, impulsionada principalmente pelo desempenho da agropecuária e pela expansão registrada em todos os setores produtivos.
O resultado representou o quinto ano consecutivo de crescimento econômico no país.
Dólar deve fechar ano cotado acima de R$ 5
O Boletim Focus também trouxe atualizações sobre a expectativa para o dólar nos próximos anos.
A previsão das instituições financeiras é que a moeda norte-americana encerre 2026 cotada em R$ 5,17.
Para 2027, a estimativa é de que o dólar fique em torno de R$ 5,26.
O cenário econômico segue acompanhado com atenção por investidores, empresários e consumidores, principalmente diante das incertezas internacionais e da pressão sobre a inflação brasileira.





